VI (ú) DA

De aqui hasta allá, el agradecimiento y desde allá hasta
donde se pierde la vista, la culpa. Sin ambos no hay justicia
divina y solo después de los dos empieza la vida.


*** ☼ ….

02


Culpa

Quando Lara tinha doze anos robou um chocolate no mercado.

Feliz e prazerosamente culpada voltou para casa, onde estava tudo tranqüilamente desligado.

Abrindo a porta da frente foi puxada por dois homens que em silêncio a estupraram por duas noites e dois dias seguidos.


Ya no se que hacer cada vez que de la cabeza me sale un arbolito

arbolito3


Coisas sobre as quais gostaria de escrever II

1. A sorte do fundo da tampa das garrafas e os biscoitos da sorte

2. Receitas para emagrecer

3. Frases como:

“Fulano de tal Estudia Marx y se siente alienado”


Autoretrato em terceira pessoa

A fulana de tal percebe, quando escreve, como suas unhas cresceram nesses últimos dias. Morde uma.

Continua escrevendo e se da conta que a mordida anterior não ofereceu aquele acabamento redondinho de cortador de unha; em função disto tenta de novo, e de novo de novo. Dá duas mordidas mais e a unha doe um pouco. Volta a escrever.

Retomando a atividade lembra que precisa ir no banheiro; Abandona a folha na metade e antes de sentar no vaso percebe como ficou horrível seu cabelo: Acontece que, desde seu ponto de vista, as gotas desse dia chuvoso danificaram muito mais os fios do que qualquer tesourada burra com que castiga diariamente o penteado. Suspira e pensa no amor platônico da vez: “O horóscopo foi bondoso hoje”.

Por um motivo ou outro, a astrologia faz com que a lembrança percorra um caminho até a vexiga. Se não fosse pelas estrelas teria concorrido para a grande chance de ganhar uma nova infecção urinária. Quando senta escuta aliviada o barulho da agua que encontra a agua, deve ser por isso que alivía, a final, esta ajudando os similares a encontrar seus pares.

Bela surpresa: O cortador de unha esta ao alcance da sua mão, nem precisa levantar o corpo no meio do acaçalamento das aguas. Dirige-se imediatamente à unha vítima das mordidas de antes e a deixa RE-DON-DINHA, corta a unha vizinha e a vizinha da vizinha. Faz um bom tempo que não utiliza esmalte.

Vermelho não esta mais na moda porém, sua coleção de esmaltes se limíta ao vermelho. Ainda sentada se esforça para chegar no frasquinho “carmim paixão” e como costume milenar (com certeza as mulheres tinham esmaltes em frasquinhos desde sempre) o sacode. Ao abrí-lo percebe que foi em vão: O único resquício do passo do tempo e a volatilidade da moda foi o sopro mágico da secura.

Disfarçando sua frustração se contenta com o fato de que sete das dez unhas ainda não foram cortadas. Aplica um golpe de gilhotina certeiro no dedo pequenino fazendo com que as três que corta enseguida aplaquem lentamente sua ira. O corpo morto e derrotado da quarta vítima voa magnificamente pelo ceu de azulejos e cai bem na sua frente, mas ela finge que esta difícil de encontrar, nem vale a pena procurar.

Lentamente vai entrando no ouvido a musica que acabou de começar, ela gosta tanto que se levanta e sai correndo, dança ao se olhar na janela tão brilhante como um espelho e mexe muito o cabelo. Pensa no amanhã… Coloca uma blusa qualquer e vai embora.

Após uma caminhada breve no centro da capital, para fulminantemente, olha para cima e suspira. Ao perceber que a tristeza a tomou por surpresa chora algumas lágrimas e cobre o rosto com as mãos: a mão esquerda ainda tem as unhas longas.


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